Alta do tabagismo acende alerta para câncer de boca

Em Ribeirão Preto, campanha de combate ao fumo registra índice de abandono do cigarro acima da média nacional

Alta do tabagismo acende alerta para câncer de boca
O cigarro é um dos principais fatores de risco evitáveis para diversos tipos de câncer, incluindo o de boca | Crédito: Pexels/Basil MK

O aumento do número de fumantes no Brasil voltou a colocar o câncer de boca no centro das discussões. Dados do relatório Vigitel Brasil 2006–2024, divulgado pelo Ministério da Saúde no fim de 2025, mostram que 11,5% da população adulta brasileira se declara fumante de cigarro convencional, número acima dos 9,2% registrados em 2023, interrompendo uma trajetória de queda observada nos últimos anos. 
 
Nos últimos anos, o combate ao tabagismo ainda ganhou um novo vilão. A popularização dos cigarros eletrônicos, principalmente entre adolescentes e jovens, ampliou o consumo de nicotina e a exposição a diversas substâncias tóxicas. 
 
“O cigarro continua sendo um dos principais fatores de risco evitáveis para diversos tipos de câncer, incluindo o de boca. O problema é que os vapes acabaram criando uma falsa percepção de segurança e se tornaram um atrativo devido aos sabores adocicados e ao cheiro menos intenso”, afirma o oncologista Carlos Fruet. 
 
Em Ribeirão Preto, ações de combate ao tabagismo vêm sendo intensificadas ao longo do mês em que se celebra o Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 527 pessoas passaram pelo tratamento na rede pública em 2025 e 53% delas deixaram de fumar durante o acompanhamento, percentual acima da média nacional, estimada em cerca de 30%. 
 
“Parar de fumar traz benefícios para o organismo em qualquer fase da vida. Em pouco tempo já há melhora da circulação, da capacidade respiratória e redução do processo inflamatório causado pelo cigarro. A longo prazo, isso também diminui significativamente o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer e outras doenças crônicas”, destaca o médico. 
 
Sinais da doença exigem atenção 
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 17 mil novos casos de câncer da cavidade oral por ano no triênio 2026-2028. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a sétima posição entre os tipos mais incidentes no país.
 
“O câncer de boca afeta estruturas como lábios, gengivas, língua, céu da boca e bochechas, e costuma apresentar sinais que muitas vezes são ignorados no início. Feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas, rouquidão persistente ou caroços na região do pescoço devem receber atenção. O diagnóstico precoce tem impacto direto nas chances de tratamento e recuperação do paciente”, explica Fruet.
 
O médico destaca ainda que o risco de desenvolver a doença é aumentado pela má higiene bucal, exposição solar sem proteção nos lábios e infecção por HPV. O tratamento, a depender do estágio do tumor, pode ser cirurgia, radioterapia e quimioterapia. 
 
“O câncer de boca ainda é, na maioria das vezes, diagnosticado em fases avançadas. Por isso, campanhas de conscientização têm papel fundamental para alertar a população, principalmente os mais jovens, que hoje estão entre os principais públicos expostos aos cigarros eletrônicos. Quanto mais cedo houver investigação, maiores são as chances de controle da doença e de preservação da qualidade de vida”, finaliza o oncologista.

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